• Evatania Azevedo

Grupos de convivência e o Bullying


Não dá pra falar neste assunto sem mencionar mais uma vez o que realmente é Bullying. E após essa explicação teórica analisar as consequências e como esse tema mudou o olhar que hoje se tem para o jovem e mesmo o adulto. Neste texto em forma de perguntas e respostas podemos penetrar neste assunto e sair dele munidos de compreensão e estratégias de proteção.


Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais indivíduos contra um ou mais colegas. Por que colegas? Por que se entende que Bullying é uma situação estabelecida entre conhecidos e que ultrapassa o limite da intimidade, inclusive entre parentes. O termo Bullying tem origem na palavra inglesa Bully, e significa valentão, brigão. E já se encontra nos dicionários em português, Bulinar; verbo ou Bulinação, entendido como ameaça tirana na base da opressão, intimidação, humilhação e um mau trato.


Por isso é importante se posicionar. Bullying não é um fenômeno recente!


Desde 1970, quando o Professor Dan Olweus, (Universidade da Noruega) decidiu investigar o motivo do grande aumento de suicídios entre jovens. Descobriu-se que a situação de Bullying estava relacionada, e que muito embora isso sempre houvesse ocorrido na história da humanidade nunca antes alguém parou para estudar e entender esta situação e combate-la.

Segue abaixo perguntas e respostas que todos podemos nos fazer e refletir.


1. Como reconhecer o Bullying?

Vamos começar por mostrar o seguinte: “Todo Bullying é uma agressão, moral, ou física, mas nem toda agressão é Bullying.”

Conflitos no trânsito, na vizinhança, no supermercado..., sejam elas graves ou não. Explosão nervosa e pontuais com agressão física ou não. Descontrole emocional ou psiquiátrico. Algo ligado a violência, mas que aconteceu de forma única ou eventual não pode ser chamado de Bullying.

Bullying acontece de forma constante e numa relação próxima, familiar, conhecida e dominadora.


2. O praticante de Bullying deseja o que?

Essa pessoa que pratica Bullying, o bulinador, deseja ser notada como forte e superior, a algo ou alguém em função de também sofrer a mesma opressão que causa aos outros. Está sofrendo por algo ou através de alguém de forma física ou psicológica, mas ainda não sabe, e se expressa dessa forma em razão de sua personalidade ou como fuga do próprio sofrer. Não pode se dizer que é uma vítima, e sim um doente. Somente alguém a quem ele reconheça autoridade pode conduzi-lo a outro comportamento.


3. E o Bulinado, por que permite?

O Bulinado é o outro lado da moeda, é a vítima porque não reage, não extravasa o sentimento e adoece de outra forma, normalmente aceitando a punição ou se auto flagelando, desejando a morte por não sentir a força necessária para superação. Neste caso, somente através da confiança em alguém, essa pessoa conquista o direito de se afastar ou até mesmo afastar o agressor.


4. O Bullying pode ser cooparticipativo?

Sim... Existe a cooparticipação por aqueles que assistem, incentivam, olham e dessa forma incentivam agressão ou fazem comentários bulinosos que humilham e desqualificam quem sofre. O Bullying coparticipativo é um grande mal da nossa sociedade. E aqui cabe. “Quem nunca!”


5. É possível reconhecer o Bulinador e o Bulinado num grupo?

É possível sim, mas é também igualmente importante não rotular aspectos.

Num grupo de amigos, nem sempre ambos se reconhecem, cada qual munidos de seus valores justificam suas ações e atitudes. E assim pode ser, quando todos estão conscientes de seu próprio bem e seu próprio mal.


O Bulinador é aquele que mais incomoda seus parceiros ou um parceiro em especial, normalmente motivado por algum preconceito qualquer, e costuma mudar o comportamento diante da figura quem respeita.


A pessoa Bulinada é aquela que por característica ou por circunstância reclama menos, se afasta mais vezes, mas não o tempo todo. Busca a confiança em seus parceiros ou em alguém.


6. O que fazer ao identificar um caso possível de Bullying?

Todo grupo de convivência é um potencial gerador de situação de Bullying.


Família é o primeiro grupo de convivência e é possível identificar Bullying entre irmãos e/ou primos. Igrejas, clubes ou até no playground entre os grupos de convivência ainda numa fase precoce do desenvolvimento infantil. E principalmente na escola lugar escolhido pelas famílias para servirem de base e de formação do caráter social de seus filhos, onde se passa a maior parte do tempo. Na vida adulta, o ambiente de trabalho gera grupo de convivência e muitas vezes dá continuação ao processo de Bullying quando não tratado e afastado da vida de uma pessoa que sofreu ou fez alguém sofrer na fase infantil, onde tudo começou.


A melhor estratégia indicada é uma atenção especial àqueles grupos que estão em formação e analisar cada caso, dê preferência por um adulto de bom senso, bons valores e isento de convivência. Separar os envolvidos, explicar as consequências a cada um separadamente e depois juntar o grupo novamente fortalecendo valores de união e identidade própria. Caso necessário convidar um profissional isento de parcialidade para comandar essa conversa.


7. E finalmente, o que se aprende observando a situação de Bullying?

O Bullying reflete traços culturais de um povo e é transmitido e até validado como aspecto natural do desenvolvimento. Mas, o que não se pode negar é que numa sociedade que deseje alcançar a cultura e a evolução dos valores éticos, morais e espirituais. Tais atitudes maculam o comportamento, machucam a honra e mascaram o poder. Ainda estamos longe de eliminar este mal da nossa sociedade, mas podemos afastá-lo de nossa convivência cada dia um pouquinho mais, até que reste apenas um traço disso na linha do tempo e na história. “Vocês lembram-se do tempo em que o ser humano acreditava adquirir poder bebendo literalmente o sangue de seu oponente?”

Tomara que ninguém lembre... rsrsrsrs...


Obrigada pela paciência com este assunto. E um até breve.


Nota: Bulinar é uma palavra que aprendi com minha avó Maria, quando eu tinha por volta de cinco anos, encontrei essa palavra nos dicionários em Português. Em homenagem a minha avó Maria que dizia: - “Pare de bulinar essa criança.” Numa clara advertência que uma criança maior prejudicava uma menor. Nunca mais ouvi essa expressão novamente em português!



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