• Lilian Quatrocchi

A importância de um líder estar consciente de seus limites


A importância de um líder estar consciente de seus limites... Essa frase veio à tona na minha mente quando li o seguinte parágrafo de Bert Hellinger sobre os terapeutas iniciantes:


“É fato que os iniciantes ainda têm seus determinados limites. Alcançarão menos em função disso? Quando estão em sintonia com seus limites, a alma atua de um modo determinado. Quando alguém assume que não pode fazer nada, que chegou aos seus limites, talvez isso tenha maior efeito sobre a alma do outro. O ajudante precisa realmente confiar em sua alma, por isso, o grande Freud já descobriu que, algumas vezes, os iniciantes tinham mais sucesso que os macacos velhos, pois são modestos e isto concede espaço à alma.” - Bert Hellinger


Sim. Precisa ler mais de uma vez. Eu li uma vez, li de novo e de novo, e a cada vez que lia mais conexões eu fazia. E como líder, a conexão que quero explorar aqui neste texto é sobre o quanto é importante que um líder esteja sempre consciente de seus limites.


Não é o propósito deste texto explorar o significado de “liderança”, mas é importante trazer aqui uma das principais responsabilidades de um “líder”, que é a de desenvolver pessoas. É através das pessoas do time que se conquista os verdadeiros e consistentes resultados.


No entanto, o papel de um LÍDER com sua equipe pode ser muito parecido com o papel de um terapeuta com seu cliente, claro que dentro de suas especificidades. Um LÍDER precisa, a todo o instante, saber lidar, entender, direcionar cada indivíduo do seu time levando sempre em consideração que são diferentes entre si, que cada um tem a sua história, que cada um tem os seus limites, a sua forma de aprender, a sua pré-disposição de transformar-se e de desenvolver-se.


Quando um líder não está consciente de seus próprios limites, sua atuação acaba sendo equivocada, pois atua tendo sempre a certeza de que está no caminho certo, isso limita questionamentos importantes durante a jornada. Quanta descoberta temos pelo simples fato de parar e perguntar se estamos no caminho correto? Quando estamos conscientes dos nossos limites, nos tornamos uma referência. Não porque somos “o cara”, mas sim porque somos íntegros e verdadeiros. Sim, porque à medida que tenho consciência do meu limite e respeito-o, eu adquiro a capacidade de entender que o outro tem um limite também e que merece meu respeito, antes de qualquer coisa. Estar em sintonia dos meus limites, permite ao outro encontrar espaço para também atuar.


Tem muita ferida por aí que não fecha justamente porque a própria pessoa continua cutucando, ou seja, continua valorizando o próprio desajuste. Não se dá conta de seus limites e de que há muitas outras possibilidades. Continua, assim, repetindo as mesmas experiências pois não é possível seguir adiante com a repetição de comportamentos.


Ao reconhecer aquilo em que sou limitado, eu evoluo. Saber olhar a própria beleza, valorizando seus próprios pontos fortes, faz com que saibamos olhar a beleza dos outros. Eu só evoluo porque consegui compreender meus limites. Ao compreender meus limites, posso trabalhar para transformar aquilo que estou consciente agora, e assim começar a mudar meu presente para também poder mudar meu futuro. A mudança do meu futuro começa agora, no presente. Ser hoje melhor que ontem. Ah! Quanta consciência, quanta humildade, quanto autoconhecimento, quanta verdade e integridade precisamos para isso!



Só a consciência dos nossos limites, do que somos, nos permitirá uma transformação verdadeira. Saber o que você é, o que você representa. E aqui estou falando sobre saber o que você é para si mesmo, o que você representa para si mesmo e não para os outros. Entender quais são os seus ideais. Fazer um exercício diário de autodescobrimento. Entender o que está dentro de você. Saber como você enxerga, escuta e reage às adversidades da vida. Qual é a história que você conta para você mesmo? Qual é a sua história? Mais profundo ainda: você pode e deve se aceitar como você é, mas nunca se conformar, pois conformar é aceitar a forma e, independente de qual forma você tem hoje, sempre há possibilidades de melhorias, de evolução e de transformação. O principal é estar consciente de seus limites. Após esta consciência, a aceitação e o respeito pelos seus limites precisa ser diferente de se conformar com eles. É aqui a chave para mais aprendizados e transformações. Saber do meu limite como líder não somente me permite crescer, como permite que meu time tenha espaço para atuar. E assim, as almas conseguem fluir no espaço que foi liberado.


Nossas metas não devem ser o único guia da nossa vida, percebe? O foco é no hoje, no agora. Muitos não entenderão o real significado dessa frase e poderão interpretar de forma equivocada e, neste caso, sugiro começar a leitura novamente, desde o título.



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