• Evatania Azevedo

“A mendiga e o samurai”

Surpreendente versão de um conto japonês que fará com que você repense seus relacionamentos




Chego aqui hoje para contar um conto... Melhor, para recontar um conto e me permitir fazer as adaptações necessárias ao nosso tempo.


Em outros tempos havia um Samurai, na ilha de Hokaido, norte do Japão e uma mulher muito pobre que parecia uma mendiga.


Hoje modelos desses homens se espalharam por todo o mundo e podemos encontrá-los em todo lugar. Homens comuns, especialmente atraente para algumas mulheres, socialmente bem ajustados em seus trabalhos e conquistas, reconhecidos por seus pares como bons pretendentes. Depois de viver muitas conquistas e desejos um dia, um desses homens decidiu-se casar. Então, espalhou-se a notícia de sua intenção.


Muitas mulheres jovens e belas se apresentaram para serem escolhidas, da sua região e de outras mais distantes, todos o julgaram um bom partido. Muitas até ofereceram seus dotes de encantos e prazeres, de riquezas e prestígios, de poderes e magias, mas nada disso o atraía.

Ele era um homem vivido e desejava apenas uma companheira e uma família que o fizesse feliz.

Mas um dia, uma mulher mal vestida e muito simples conseguiu chegar até ele e pediu uma audiência:


“Eu não tenho nada material para lhe oferecer, só posso lhe dar meu grande amor”.

“E como prova ofereço minha dedicação, trabalho duro e companheirismo, durante 100 dias, sem nada lhe pedir”.


Isso despertou a curiosidade do tal homem, que lhe pediu para dizer o que poderia fazer.


“Vou passar 100 dias limpando sua casa, sem comer ou beber nada, dormirei fora da casa exposta à chuva, sereno, sol e frio à noite. Se eu aguentar esses 100 dias, você me fará a sua esposa?” Perguntou a jovem.

O homem, surpreso (embora não comovido), aceitou o desafio. Ele disse:

“Eu aceito. Se uma mulher pode fazer tudo isso por mim, ela é digna de ser minha esposa”.

Dito isto, a mulher iniciou seu trabalho.


Os dias começaram a passar e a mulher suportou bravamente as piores tarefas da casa, as mudanças bruscas do clima, o frio intenso, o calor insuportável, a chuva, vento e tempestade. Muitas vezes ela sentia-se desmaiar de fome, mas encorajou-se a imaginar que finalmente estaria ao lado de seu grande amor.

De tempos em tempos, o homem se mostrava do conforto de seu quarto para vê-la e acenava com o polegar.


À noite a temperatura caiu para muitos graus negativos e isso por si só deveria ser de uma grande penúria, porque ela não tinha um único cobertor, mas aqueceu-se em seu calor porque sentia amor.

Foi assim que o tempo passou: 20 dias, 50 dias… As pessoas da ilha ficaram pensando: Finalmente teremos uma esposa digna desse homem. Chegaram aos 90 dias, e ela firme.

De vez em quando aquele homem aparecia do alto de sua janela para ver como estava o sacrifício de sua pretendente:


“Esta mulher é incrível”, ele pensou consigo mesmo, e lhe deu encorajamento novamente, lá do alto.

O dia 99 finalmente chegou e todos os habitantes da ilha começaram a se reunir para comentar como o amor é poderoso, e determinar o futuro daquele casal. Eles estavam contando as horas, pois, às 12 horas daquele mesmo dia, eles teriam um casamento.


A pobre mulher, em sua grande jornada, foi ainda acometida por extrema fraqueza e por doenças…

Então, algo inesperado aconteceu: às 11 daquele dia, o centésimo dia, a mulher corajosa se rendeu e decidiu se retirar daquele lugar. Deu uma olhada triste para aquele homem que a fitava e saiu sem dizer uma palavra.


As pessoas ficaram chocadas! Ninguém conseguia entender por que aquela mulher corajosa desistira de apenas mais uma hora para ver seus sonhos se tornarem realidade. Logo agora que havia suportado tanto!

Ao chegar em sua casa, seu pai já sabia da sua desistência e perguntou: “Por que você desistiu de ser a esposa daquele homem?”


E, para seu espanto, ela respondeu:


“Eu estive 99 dias e 23 horas em sua casa, suportando todos os tipos de dificuldades e ele foi incapaz se me liberar desse sacrifício. Ele me viu sofrendo e só me encorajou a continuar, sem mostrar nem um pouco de compaixão pelo meu sofrimento. Eu esperei todo esse tempo por um vislumbre de bondade e consideração que nunca veio. Então, eu entendi:


“Uma pessoa tão egoísta, imprudente e cega, que só pensa em si mesma, não merece meu amor!”


“Amor esse que me sustentou e me fez enxergar que não preciso de alguém assim”.


Este conto foi adaptado do site: Rincón del Tibet para refletirmos no dia de hoje.



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