• Marcela Torres

Boa é a formação, má é a forma.



Paul Klee, artista suíço, cujas obras estão classificadas em diversos movimentos de vanguarda europeia [Surrealismo, Cubismo, Futurismo, Expressionismo] disse: “Boa é a formação, má é a forma, porque a forma é fim, é morte”.


Formação, segundo o dicionário, significa "modo de formar, constituir (algo); criação". É processo, caminho, evolução. Forma, por sua vez, significa "estruturação; formato". Aqui, em rápida reflexão, é possível capturar que, para Paul Klee, aquilo que cristaliza, morre. A arte é uma linguagem de fazer/viver que considera as mudanças. O próprio processo criativo deve ser estimulado pela sua fluidez e capacidade de sempre ter algo a mais para se extrair.


A forma muitas vezes engessa e reduz. O molde da forma é limitador.

Com isso em mente, pense comigo, agora, sobre nossos corpos. O seu, o dos seus pais, familiares, amigos. Como enxergamos os corpos? Com beleza? Enxergamos suas varias formações? Ou o que temos observado, na verdade, são suas formas?


Sou professora de dança, expressão e consciência corporal. Percebo que, uma das principais razões para as pessoas evitarem o movimento, é o medo da forma corporal. Não nego que, há anos, alguns estilos de dança como balé clássico e jazz exigem um tipo de formato de corpo. Privilegiando e exigindo corpos magros, altos, assim, eliminando toda a diversidade existente.


Essa ideia já criou raiz no imaginário popular. E é um trabalho árduo que necessita persistência para reverter o conceito. José Gaiarsa, médico psiquiatra, avaliou essa percepção da seguinte forma:


“No ocidente o movimento humano sucumbiu ao poderoso tabu que pesa sobre o corpo humano, sobre a carne...Se o corpo não é bom, seu movimento não pode ser bom. E toda a psicologia ocidental evoluiu durante dois séculos quase sem falar nesta coisa simples: o personagem humano se move – e seu movimento é uma linguagem completa e complexa, a seu modo tão elaborada quanto a linguagem verbal, duas linguagens que não podem ser postas em confronto, muito menos em competição”

Se falamos e nos expressamos pela voz, pela oralidade e, também, pela escrita, pela música... O que falta para acreditarmos no potencial expressivo do movimento?


Minha dica como alguém que tem desfrutado de experiências sensoriais, emocionais, superações, expansão criativa através do movimento é: comece! Sabe quando ninguém estiver olhando? Coloque uma música, mexa os braços, as pernas, a cabeça! Faça caretas, imite bichos, role no chão se puder... Gire com braços abertos. SINTA O CORPO conforme você se mexe. Algum movimento dá prazer? Aliviou tensão? Despertou lembrança? Faça de novo! Tente outro! Crie! Não duvide do potencial do seu corpo! Explore sua sensibilidade!


Eu poderia dizer, vá para a academia de dança. Mas o primeiro passo é sempre individual. SÓ VOCÊ PODE DAR! Viver sem conhecer e desfrutar de toda potência do corpo é viver pela metade. É abandonar parte de quem você é. Somos mente e somos corpo!


“O corpo é a nossa história” Le Goff e Truong




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