• Jessica Olivieri

Felicidade não tem fim



Por que será que a tristeza não tem fim e a felicidade sim? Freud, em seu texto Arruinados Pelo Êxito (1916), nos oferece uma resposta. Ele abre dizendo que a psicanalise o levou a concluir que as pessoas adoeciam frente à frustração de um desejo não realizado. Até aí, tudo bem. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que pessoas também adoeciam frente aos seus desejos realizados? Pensando nisso, faz sentido a letra da canção de Tom e Vinicius, pois como poderia a felicidade ser infinita, se nem perante a realização de nossos sonhos conseguimos sustentar a felicidade?


Todos nós conhecemos uma dúzia ou mais de pessoas que lutaram para conquistar algo e, quando finalmente conseguiram, não souberam lidar e, de alguma forma ou de outra, abriram mão ou sabotaram suas conquistas.


O que faz com que o funcionário que sempre quis ser promovido, quando finalmente recebe a promoção, passa a faltar no trabalho e atrasar? Por que a mulher que sempre quis se casar, após o casamento, perdeu o interesse no marido e começou a traí-lo? Ou o jovem que passou na universidade e perdeu a data de inscrição?


O que nos impede de sustentarmos nossa felicidade?


Ainda que o número de respostas seja igual ao tanto de pessoas que se fizerem essa pergunta, podemos pensar em algumas alternativas.


Alguns, frente à realização de um desejo, descrevem a descrença de ser possível manter aquela conquista. Não acreditam que algo bom possa acontecer com eles e, como a crônica de uma morte anunciada, garantem que aquela conquista realmente não perdure. É como se houvesse um certo conforto no sentimento conhecido do sofrimento ou da não-realização. E quando chega a hora de enfim aproveitar e gozar da conquista realizada, a pessoa não aguenta sustentar essa nova posição e essa felicidade. Prefere, numa compulsão pela repetição, voltar ao sofrimento anterior.


Parece inacreditável, mas é preciso estar atento e forte aos boicotes que fazemos de nossos triunfos. Exige coragem, disposição (e análise) para abrir mão da posição anterior de sofrimento e para que a felicidade seja eterna enquanto dure.



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