• Gui Vilaggio

Quando ela está por perto



lá vem ela de novo,

Sorriso largo, farto. Sem miséria.

Com seu jeito deselegante de andar,

um pouco anos 50. Ela nunca se importou.

Mas faz questão de mostrar seu novo vestido

e me faz mais feliz por perguntar como foi meu dia

não dá pra não retribuir quando ela diz estar com saudades

e pra eu aparecer mais, pra lembrar juntos do nosso passado

de um tempo que caminhávamos de mãos dadas,

no calçadão de uma praia qualquer.

Continua amando as músicas de ontem

na sua vitrola de casa (não é vintage, ela jura).

onde o Rei segue rei.

a gente se divertiu com tão pouco, lembra?

bastava uma meia dúzia de palavras cruzadas, ou um baralho

Pra nos fazer feliz,

A embriaguez ficava por conta da Fanta Uva

Doce, como você

E marcante, como nosso encontro em vida.

A distância entre nós

É puramente ilustrativa

E ela sabe. Porque foi o que sempre me ensinou.


Sem graça, ao final do jantar

ela me puxa de canto e me pergunta, de novo

sutil, como sempre foi pela vida inteira

- Posso repetir?

- Pode vó, claro. Só hoje, sem abusar.


ps: para Clarice Aparecida Dias Vilaggio, que com o cabo da vassoura me ensinou que a vida é mais do que escrever em um blog e menos difícil do que a gente imagina.



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