• José Roberto

Embate na Terapia Holística: um texto nada teórico e muito opinativo.

Atualizado: Abr 1



Caro leitor, neste texto, eu pressuponho que você tenha familiaridade com o que é comumente conhecido por “Terapia Holística”, ou ao menos tem uma ligeira noção a respeito. Também já te informo de antemão: esse é um texto opinativo com base em experiências e observação – logo, não espere citações de fontes, ou indicação de onde buscar informação; nesse texto eu deixo essa responsabilidade inteiramente para você, afinal é essa a parte divertida da coisa ;-). Dito isso, eu vou discorrer rapidamente sobre um embate moderno pelo qual passa a Terapia Holística.

A Terapia Holística, nos tempos atuais, passa por um processo de legitimação e aceitação consideravelmente não saudável, ao mesmo tempo que castrador de sua gênese e restritivo de propósito da própria Terapia Holística em si. Este processo não é algo desconhecido do ser humano. Historicamente pode ser observado e rastreado em momentos distintos, campos do saber e práticas distintas, como a própria construção da noção de ciência. Para facilitar, no caso da Terapia Holística, vou dividir a abordagem em dois pontos de investigação distintos: primeiro em Terapia Holística enquanto conceito e segundo em Terapia Holística enquanto prática. Fazer essa distinção tem apenas um objetivo didático, uma vez que o embate está presente na tensão instalada entre ambos, peculiaridade essa presente no processo da Terapia Holística, gerando uma ambiguidade em sua leitura onde prática e conceito se confundem. Para amenizar este nó, precisamos ter em mente uma premissa básica sobre a vida: o alinhamento daquilo que penso, do que sinto e do que faço. Assim como forma de caracterizá-la em substantivo próprio, a Terapia Holística se encontrará em maiúsculo por todo o texto partindo destes dois planos inicialmente: o mental, pensamento e racionalização, e o físico, ação e prática. Delimitado nosso campo de investigação, sugiro descermos para brincar no playground rsrsrsrsrsrs.

Como conceito, a Terapia Holística apresenta um determinismo de ambiguidade, e tal determinismo traz a seu campo – seja como matéria a se pensar, ou como profissão na qual atuar – um embate que é reflexo das raízes epistemológicas do pensar em nossa sociedade moderna; não vou me ater a isso, mas sempre é bom lembrar que o homem de seu tempo – aquele que elenca valores e cria identidades que moldam a sociedade em que se vive – não é algo de hoje, é construção reafirmada do presente. Voltemos. A ambiguidade sobre a conceituação da Terapia Holística faz dela vítima de preconceitos nem tão antigos assim, e tal preconceito imprime uma necessidade de se legitimar enquanto matéria (a exemplo da física, da medicina, etc) e, até esse processo se findar, a torna algo volátil por vezes envolto em mística, desconfiança e repulsa. Mas, e a parte boa? A parte boa é o que todas as coisas do mundo buscam ser, estar completas; esse estágio de percepção de algo não a limita em ser alguma coisa específica – uma vez que sua identidade não está construída, faz dela expandida e ramificada quanto o ato de ser algo. De forma mais palpável, a não delimitação de um conceito de Terapia Holística faz dela o que ela é (explicarei a frente) e o ato de delimitá-la faz dela passível de repulsa.

Para explicar o excerto anterior, precisamos entrar na prática da Terapia Holística e aqui a coisa se desenrola de forma mais clara – Terapia Holística é um ramo de terapia que junta um monte de terapias e aplica todas elas de uma vez? Ou Terapia Holística é uma forma de se aplicar qualquer terapia? O que faz um terapeuta holístico? – Essas três perguntas norteiam o pensamento e já nos apontam a questão do embate na Terapia Holística como prática. O que raios é Terapia Holística? – O senso comum diz que é o terapeuta quem aplica um monte de terapias místicas de conceitos duvidosos para curar doenças. Nada mais longe da realidade. O segredo, retomamos, está no de tentar conceituar: se por A mais B tenta-se apenas conceituar e dizer o que é a Terapia Holística quanto matéria, cairemos fatalmente na mística e na confusão de sua ambiguidade do presente relacionado ao seu propósito que é, por sua vez, a prática da mesma – veja que conceito e prática estão intimamente ligados.

Terapia Holística é uma forma de se praticar algo, o Holismo da prática tem sua raiz de seu significado encontrada no termo do grego antigo Holós (todo, inteiro, completo) e aponta para uma forma específica de se encarar algo aplicado à prática – está mais para uma atitude do que unicamente uma forma de pensar, congregando ambos e encarando as coisas como um todo completo, a partir de suas partes – Holós é um Ethos, um código e forma de agir com base em uma premissa / pensar filosófico. Resumidamente o conceito de Holismo aplicado à prática é algo tão antigo quanto a própria palavra e identifica uma prática que une uma série de outras práticas em si, compondo algo para se agir. Assim, a própria Terapia Holística como conceito, é também sua prática e em sua gênese é um caminho para a composição de algo a partir da união de outras coisas fora de si para gerar algo novo – tentar definir uma identidade a Terapia Holística é por si só matá-la e usurpar seu conceito e função prática inicial. Essa forma de abordagem, embora presente hoje em diversos lugares é, primariamente, anterior aos conceitos de ciência e do saber acadêmico. Dessa forma, Terapia Holística não é uma terapia, uma matéria, ou uma ciência em si, ela é ferramenta de todas as matérias, da ciência e das terapias, uma forma de praticá-las pensando sobre o que as compõem como sendo o que são e entendendo de forma ampla e não limitante aquilo que as delimita. Isso não exclui diretamente a Terapia Holística como matéria, mas sim transporta o entendimento de Terapia Holística como matéria para outro âmbito, substituindo a pergunta anterior: “O que é Terapia Holística?”, por “Quem pratica esta forma de abordagem em sua prática terapêutica?”

A resposta da pergunta aqui ampliaria a questão do embate, encaminhando a proposta do texto para uma noção de fechamento e delimitação; esse não é o objetivo. As sementes foram espalhadas aqui para pensarmos a respeito e considero isso suficiente por hora ;-P. O que quero dizer é que a resposta vai depender muito de quem está fazendo uso deste conceito (Holismo / Terapia Holística) para abordar a própria prática profissional; depende da abertura de cada um em relação a encarar as coisas da vida - alguns o farão de forma obtusa e fechada, outros de forma expandida e aberta; e existe também a turma do “caminho do meio”. Seja quem for, a Terapia Holística quanto conceito e prática não faz distinção de ninguém, é a falta de holós no ser humano que está observando qualquer situação, que distingue e separa cada coisa dentro de seu próprio quadrado – separando o que um dia foi junto.


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