• Marcela Torres

Quer vir comigo?

Atualizado: Abr 1



Não sei você.

Mas lembro de, quando criança, dançar, correr, pular e praticamente desconhecer a PAUSA.

É tanta energia e curiosidade que não há tempo a perder.


"EU QUERO VIVER!"


Cresci amante do movimento e, para ser mais específica, da dança. A dança é minha linguagem. Danço na alegria, na tristeza, nas festas, sozinha no meu quarto, danço como hobby e profissionalmente. Dançar me liberta.


Acontece que conforme amadurecia, percebi que para muitos, senão para a maioria das pessoas, dançar é sinônimo de passar vergonha. É uma visão que começa antes mesmo de pensar em “dança”. Tem mais a ver com a expressão.


Você já parou pra pensar quantas vezes, desde sua infância, você expressou algo e não recebeu uma resposta? Ou incentivo? acolhimento? Ou ainda, chamaram sua atenção por se expressar? Disseram: se mexa menos! Não corra aqui! Olhe para frente! Presta mais atenção! Não é assim que brinca, é assim!


Sem querer, caímos em um círculo vicioso que delimita o nosso poder de expressão e criação desde muito pequenos! Há certos modos de viver e “se portar” que são esperados de nós. E, sem perceber, pais, mães, avós, avôs, tias e tios, educadores, monitores... (a lista é longa!) vão cerceando a liberdade da criança. Foram criados da mesma forma. Como ser diferente?


A expressão criativa se manifesta nos mínimos detalhes: a maneira de vestir, servir um prato, escrever, falar. O engraçado é que andamos, pela própria educação, tão preocupados em parecer com o grupo, que passamos a expressar (e viver) como os outros. E aos poucos, a singularidade se vai...


Por alguma razão, apesar de ter sido criada nesse mesmo contexto de controle do corpo, nunca me conformei com ele. Segui na carreira de artista da dança. E tenho paixão em estudar (e dar aula) de expressão corporal! Me encanta ver outras pessoas descobrindo o poder do corpo, do movimento e de deixar o corpo ser “quem é” sem amarras.


Parte dessa conquista surgiu observando a vida. O esforço para lutar contra meus conceitos distorcidos, que impediam minha livre expressão, só foi possível graças a muita reflexão, conversas, compartilhamento de experiências, exercícios práticos de consciência corporal. E paciência.

O artista William Pope.L diz que “artistas não fazem arte, eles fazem conversas. Eles fazem coisas acontecerem. Eles modificam o mundo.” É através, então, do trabalho e do diálogo que a mudança vai acontecer. Isso é um chamado à reflexão. Meu papel aqui não é o do convencimento mas do convite.


Quer vir comigo?



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