• Giuliana Galdino

Vamos comer?

Atualizado: Ago 11




Parece simples esse ato, mas envolve muitas questões desde cultura até as preferências de sabores. Dentro do comportamento alimentar existem 4 conceitos que vou brevemente explanar para vocês:


Comer restritivo: a restrição pode ser tanto calórica ou nutricional, quanto emocional. Muitas dietas da moda/Google colocam os conceitos base na gaveta e te entregam um papel que de milagroso não tem nada, pelo contrário quando as dietas são restritivas ao ponto de “eliminar” algum grupo alimentar importante da alimentação os efeitos a curto prazo são notórios como, irritabilidade, letargia, impulsos de raiva, perda de libido além de aumentar a obsessão pelos alimentos que estão “proibidos”. O que pode ser gatilho para o comer compulsivo que veremos mais adiante.


Comer normal: é comer como deveria ser e aprendemos desde o nosso primeiro contato com o alimento quando crianças, aqueles aviõezinhos dados pelo nosso cuidador, até a gente esquivar com nosso rosto ou bater instintivamente na colher, e espalhar tudo, afinal, você já está satisfeito ou satisfeita. Esse comer natural e comum infelizmente tem ficado cada vez mais para trás e perdido, mas o nosso corpo pode ser a nossa salvação se soubermos respeitar os sinais de fome e saciedade, honrar a fome quando ela aparecer, contextualizar o alimento para que ele encaixe perfeitamente na nossa rotina e cuidar dessa parte importante da nossa vida além de vital.


Comer em exagero: esse ato é aquele que às vezes ultrapassa nosso senso de saciedade e comemos de forma desconfortável, sabemos que extrapolamos quando temos que abrir o botão da calça ao levantar da mesa de um rodízio farto e saboroso, ou porque estamos mais ansiosos, curtindo uma festa ou até mesmo porque estava muito gostoso e decidimos repetir, mesmo não tendo espaço “estomacal” (rs)


Comer de forma compulsiva: é quando perdemos o controle do que estamos comendo, muitas vezes não sabemos nem quantificar, é como se fosse uma onda muito forte que chega sem avisar e “te engole”. Associado a esse comer vem a culpa, a vergonha, a angústia, sentimentos de menos valia e incapacidade de lidar com “a comida” também são comuns após comer desta forma. Geralmente esses episódios são impulsionados por gatilhos emocionais negativos os quais não sabemos lidar e usamos a comida como forma de conforto, válvula e até anestésico.


Segundo o DSMV, os episódios de Compulsão são caracterizados como:

1. Ingestão, em um período determinado (p. ex., dentro de cada período de duas horas), de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no mesmo período sob circunstâncias semelhantes.

2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (p. ex., sentimento de não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo).


Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes aspectos:

1. Comer mais rapidamente do que o normal.

2. Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.

3. Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome.

4. Comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo.

5. Sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida.


Além disso, existem mais 3 fatores presentes:

Ø Sofrimento marcante em virtude da compulsão alimentar.

Ø Os episódios de compulsão alimentar ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses.

Ø A compulsão alimentar não está associada ao uso recorrente de comportamento compensatório inapropriado


Esse post tem caráter explicativo e informativo, porque o "comer normal" está cada vez mais longe de existir e o meu papel é te ajudar identificar, se acredita que está distante desse ato tão genuíno, ou que se desconectou dos sinais do seu corpo, que é a nossa maior bússola, procure ajuda. Estamos aqui para te acolher e devolver a sua autonomia e liberdade, que andam tolhidas por essa Pandemia, não carregue mais esse fardo. Vamos juntos?


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