• Maiara Fidalgo

Como se relacionar melhor com sua alimentação?


Hoje, mais do que nunca, somos bombardeadas com muitas informações de como deve ser uma alimentação saudável, porém essas informações são, muitas vezes, dicotômicas, polarizadas e despertam medo e culpa ao comer. Buscar a alimentação “perfeita, pura e limpa” pode manter muitas pessoas no ciclo restrição alimentar versus exagero alimentar, o que deixa ainda mais distante a possibilidade de uma relação de paz e harmonia com a comida.


Diariamente, você deve receber informações sobre o que é mais saudável, e sobre o que você deveria deixar de comer. Para fazer as pazes com a comida use o senso crítico e filtre essas informações! Sempre que receber algum tipo de informação sobre alimentação saudável busque avaliar quão verdadeira ela se parece (você já deve ter percebido que temos muitas notícias que alimentam o terrorismo nutricional, não é mesmo?) e avalie também como ela se ela se encaixa ou não em sua vida.


Acredito que uma alimentação saudável é flexível. Nenhum alimento é bom ou ruim – entenda o contexto, frequência e quantidade. Uma relação saudável com a comida não é viver nem no 8 nem 80, mas buscar o caminho do meio.

Por isso é necessário falar MAIS sobre comida do que sobre nutrientes, assim fica acessível, fácil de visualizar na prática, prazeroso e faz sentido, os nutrientes são importantes, mas comemos COMIDA!!!


Gosto de oferecer sempre que possível exemplos práticos, valorizar a comida caseira e pensar em uma alimentação colorida e variada. Não é preciso radicalizar e tentar modismos alimentares ou modificar todas as suas refeições, mas que tal começar com pequenas mudanças?

Na prática a primeira orientação para quem busca fazer as pazes com a comida parece simples e até óbvia, mas faço questão de colocar, pois vai de encontro com a crença de escassez e com o padrão mental de insatisfação difundido na sociedade atual através das dietas restritivas e da mentalidade de dieta. Aqui vamos focalizar na abundância e variedade que a alimentação pode ser e ter.


Sugiro o trabalho de observação da alimentação atual sem modificar, sem julgamentos, tentando acolher tudo que for percebendo. Com estas observações e de forma gentil, lúdica e prazerosa refletimos juntos: Quais alimentos incluir com mais frequência? Como ampliar o seu repertório de forma prazerosa? Como ter mais autonomia nas escolhas alimentares? Como tornar o preparar a própria comida uma prática possível e prazerosa?


A chave é se abrir para experimentar novos sabores, aromas, texturas, AMPLIAR O REPERTÓRIO. Perceber que uma alimentação monótona irá interferir na percepção de sua saciedade e satisfação.

Alimente a variedade: varie os tipos de alimentos e as formas de preparo e até mesmo os tipos de marcas. Essa história de que precisamos comer diariamente os mesmos tipos de alimentos “certinhos” não é verdadeira. Nosso organismo gosta e pede por variedade! Que tal experimentar uma fruta diferente? Ou uma nova forma de consumir verduras? Que tal algumas vezes na semana se dar a chance de provar alguma nova receita ou um novo alimento?

Busque sempre que possível diversificar e mudar as formas de preparo: assados, crus, grelhados, cozidos, em forma de purê, sucos, bolos, tortas, patês...


Outra orientação que pode auxiliar muito nas escolhas alimentares no seu cotidiano é dar preferência, se possível no seu contexto, aos alimentos em sua forma mais natural possível. Isto é, aqueles que estão mais próximos da natureza! Já ouviu aquela frase descasque mais e desembale menos?

Busque alimentos in natura ou minimamente processados - Às frutas, verduras, legumes, cereais, doces caseiros...aquela comidinha que lembra a que sua avó costumava preparar, sabe? Aquela comida simples, feita com amor, com temperos cheirosos, com ingredientes gostosos. Não quero dizer aqui que alimentos que sofreram graus de industrialização não podem fazer parte da sua alimentação. Eles podem sim, e dependendo das nossas rotinas, eles farão parte pois trazem facilidade ao cotidiano.


Quanto mais coloridas e variadas nossas refeições, mais diversidade de nutrientes elas terão! Novamente não é preciso radicalizar e tentar modificar todas as suas refeições, pois nós sabemos que é difícil mudar hábitos totalmente em um dia. Comer de tudo, em moderação, é a melhor conduta que podemos ter em relação a alimentação. E, agora fica o questionamento: o que é comer em moderação, se não respeitar seus sinais de fome e saciedade? Ao respeitar esses sinais, você está se certificando de dar ao seu corpo o suficiente: nem muito a mais, nem muito a menos!


Tem dificuldade de escutar e confiar nos sinais do seu corpo? Vá com calma! Busque fazer as refeições de uma maneira mais presente e conectada...Saboreando! Com prazer! Sente-se em local agradável e deguste a comida! Textura, sabores, aromas... Comer pode ser tão bom, certo? Que tal aproveitar o momento?


Há inúmeros fatores que transpassam a alimentação - questões sociais, culturais, econômicas, afetivas e talvez não consigamos chegar a uma teoria alimentar que sintetize o bem comer. E, em verdade, esse talvez não devesse ser o propósito da Nutrição. O papel do nutricionista na sociedade atual não deveria ser o de pensar a alimentação para as pessoas - fornecendo-lhes fórmulas prontas para seus questionamentos - mas, pensar a alimentação COM as pessoas, ajudando-as a lidar com a avalanche de informações com as quais se deparam, para que assim possam ter autonomia de suas escolhas.


Como nutricionista acredito em uma nutrição mais gentil, e trabalho diariamente para que possamos acolher o indivíduo e suas escolhas alimentares. O caminho que eu nutro: Autonomia para fazer escolhas conscientes, autoconhecimento para ouvir a intuição e o corpo, autocompaixão para nutrir amorosidade e gentileza, colhendo assim um autocuidado sustentável.




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