• Giuliana Galdino

Do que a nossa vida deve ser nutrida?

Atualizado: Abr 1


Como nutricionista, entendi na minha formação de base que a "nutrição adequada" seria ter uma alimentação equilibrada em termos meramente biológicos. Isso significa que consumir os nutrientes na quantidade diária adequada, nos conduziria a tão almejada qualidade de vida.

Porém na prática, e na minha vida pessoal, percebi que o ato de comer vai muito além de calorias e de um balanço energético neutro. Por mais que a faculdade também tenha nos embasado em Sociologia, Educação Nutricional, Saúde Pública e também Psicologia, na prática identifiquei que o ser humano é complexo, e que apenas repassar as informações aprendidas não seria o suficiente para melhorar uma rotina alimentar, independente de patologia latente.


Se alimentação fosse simples e apenas um cálculo matemático, suponho que estaríamos todos muito mais próximos do bem-estar. Mas o que observamos é justamente o contrário: práticas alimentares desorientadas, colocadas como verdade absoluta e “milagrosas”. Corpos doentes pela privação de nutrientes essenciais, e mentes doentes pela privação do prazer, autonomia e livre arbítrio.


Vamos pensar juntos. O que é mais saudável: maçã ou brigadeiro?

Acredito que 99% das pessoas responderão: “Maçã, claro!”, e o desarranjo começa aqui.

Explico: uma maçã só vai te trazer benefício se for consumida de forma adequada (para você). Uma bacia de maçãs por dia não está isenta de ser rotulada como excesso. Assim como um brigadeiro, que acompanha um café da tarde com uma amiga em plena terça-feira, pode ser a pausa necessária para a sua sanidade mental em dias difíceis, e está tudo bem!

O alimento ou a escolha é apenas uma parte importante da nossa alimentação, percebe? Tudo vai depender do contexto. Cabe a nós eliminar o julgamento e a dicotomia alimentar, e colocar no lugar uma escuta empática e gentil ao nosso maior condutor: o corpo. Ele que sempre será a nossa bússola.


O meu convite para você hoje é:

Identifique na sua vida atual do quê, como, por quê, para quem, por quem você está se nutrindo?


Conduza a sua vida de forma consciente e responsável. Trace a rota, busque os marinheiros dessa jornada e não esqueça da direção. Assim como todo processo, a mudança de comportamento alimentar é contínua e não linear. Ao olhar para a nutrição de forma integral, caminhamos para a paz com a comida e com o corpo, com mais espaço pro humano, vulnerável e real.


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