• Dunia Poli do Valle

Por que eu falo do que falo?

Atualizado: Abr 1


Hey deusas e deuses!



Estreio hoje nesta coluna e quero começar me apresentando um pouco. Meu nome é Dúnia, me considero uma mulher que cuida de outras mulheres, hoje sou médica ginecologista e obstetra e meu foco de atuação é em Ginecologia Natural, Sexualidade e a Humanização do nascimento no Brasil.

Fui convidada a estar aqui com vocês uma vez ao mês para falar de um dos meus assuntos favoritos, a Sexualidade.


Sou apaixonada por esse tema desde a adolescência, sempre fui fascinada em ler e saber mais sobre as alterações que nosso corpo sofre durante a resposta sexual, a excitação, o apaixonamento...


Ilustração: Nataša Ilincic [@natasailincic]


Como vocês devem imaginar a Medicina é uma caixinha um pouco quadrada, então no meu meio isso nunca foi muito valorizado e eu nunca fui incentivada a me aprofundar nesse tema, porém cá estamos!


E por quê?


Eu sempre tive um olhar mais além do que era a sexualidade, o sexo, o prazer, acho que nunca enxerguei esse assunto como algo que se falava no escuro, entre sussurros, de um jeito envergonhado. Como poderia algo tão bom ser errado, danoso, pecaminoso?


Se nosso corpo foi feito por um Ser Divino acima de nós, um Ser perfeito, por que não poderia habitar em nós uma parte do divino também? Por que nossa carne não poderia ser também sagrada? Por que aprendemos que somente a alma é digna e o corpo é inferior?

Pra mim sempre foi muito claro que se esse Ser Divino nos deu um corpo, perfeito, em sua imagem e semelhança, por que não haveríamos de desfrutar dele em toda sua potência?


Por que o prazer não poderia também ser divino?


Vejam bem que não quero trazer aqui o conceito do cristianismo ou de outras religiões monoteístas, creio que essa reflexão se aplica em qualquer que seja a sua crença (se você tiver alguma, e tudo bem se não tiver, considere o Ser Divino como a Ciência ou a Evolução, que também nos deu esses corpos potentes e perfeitos).

Muitas populações da antiguidade viviam em tribos e praticavam religiões politeístas, muitas delas cultuavam uma Deusa e um Deus, e enxergavam o Divino também em nós, seres mortais, o que dava ao sexo um outro olhar.

Se a Deusa e o Deus se uniam no sexo e assim acontecia a Primavera e o Verão, por que nós não haveríamos de replicar esses rituais tão sagrados? O sexo não era visto como sujo, e sim como uma união sagrada, o momento em que mais poderíamos nos aproximar dos Deuses, exercendo também nossa sacralidade. Não é lindo pensar assim, gente? Pois pra mim isso faz muito mais sentido...

Conforme o tempo foi passando e fui tendo contato com outras fontes sobre o assunto, dentro de uma Medicina Tradicional e fora dela, comecei também a trazer novos questionamentos.

Se pessoas que viviam experiências traumáticas envolvendo a sexualidade, como violências e abusos, apresentavam mais propensão para uma série de doenças físicas e mentais, por que o contrário não poderia acontecer?


Poderia o prazer nos curar?


Fazer as pazes com uma sexualidade saudável e positiva não poderia reverberar positivamente em nosso corpo e mente?


Mais do que isso... uma mulher gozante não é mesmo capaz de dominar o mundo? Pensem nas mulheres que fazem História, grande parte não tem uma vida recheada de amores, amantes e subversões ao comportamento sexual (aos olhos da sociedade, claro)? Catarina - a Grande, Elizabeth I, Marilyn Monroe, Madonna, Simone de Beauvoir, Frida Kahlo, Greta Garbo, Ada Lovelace...


E aí, já te convenci da importância de falarmos sobre Prazer?


Siga Dúnia no Instagram @ventre.vivo


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